As cinco provas do aparelho digestivo têm primeiras fases parecidas e segundas fases que não se parecem em nada

Discursiva, banca oral, exame endoscópico ao vivo e cirurgia real: quatro desenhos de avaliação distintos, e o peso de cada um na nota está publicado em edital.

Os editais de 2026 das cinco sociedades do aparelho digestivo — SOBED, SBCP, FBG, SBH e CBCD — descrevem primeiras fases que se assemelham: prova objetiva de múltipla escolha, com quatro alternativas nos quatro editais que declaram o número, e uma barreira de nota em cada uma. Muda o número de questões (50 na Hepatologia e no TECAD, 70 na Coloproctologia, 75 no TEG, 120 na Endoscopia) e muda a nota de corte, mas o formato de resposta é o mesmo. A partir da segunda fase, a semelhança termina.

A segunda etapa de cada prova cobra uma habilidade diferente: escrever um raciocínio, sustentá-lo diante de uma banca ou executá-lo com o paciente à frente. Este texto organiza as cinco segundas fases em três famílias, mostra o peso de cada uma na nota final e explica por que esse peso é o critério mais objetivo para decidir quanto tempo de preparação cada formato merece. Serve ao médico que já escolheu a vertical e precisa dimensionar a etapa que vem depois da objetiva.

A primeira fase é o trecho intercambiável das cinco provas

Em SOBED, FBG, SBH e SBCP, a etapa objetiva usa questões de quatro alternativas; o Edital do CBCD não declara o número. A SOBED aplica 120 questões em 4 horas, no dia 02/10/2026, das 18h às 22h, em formato online na plataforma eduCAT, com corte de 70% das questões válidas. A FBG aplica 75 questões no mesmo 02/10/2026, das 8h às 13h, online, com corte de 60%. A SBH aplica 50 questões em 27/09/2026, das 9h às 13h, online, com corte de 70 pontos — 35 acertos em 50. A SBCP aplica 70 questões em 4 horas, presencialmente, em 22/09/2026, no Expocentro de Balneário Camboriú. O CBCD aplica 50 questões em 2 horas, em 19/11/2026, às 14h, dentro do SBAD.

Ou seja: quem treina leitura de enunciado, eliminação de alternativa e controle de tempo está construindo uma competência que atravessa as cinco bancas. É o único trecho do calendário em que a preparação de uma vertical se aproxima da preparação de outra.

Vale reforçar que essa etapa é eliminatória em quatro delas. Na Coloproctologia não há piso próprio da Prova 1: a aprovação sai da média ponderada [(Nota P1 × 6) + (Nota P2 × 4)] ÷ 10, que precisa alcançar 7,0. No TEG, a teórico-prática só é corrigida para quem passou na teórica; na Endoscopia, a lista de aprovados sai em 19/10/2026 e define quem segue para a etapa presencial de 03 a 06/11/2026.

Primeira família: a segunda fase que se resolve por escrito

Duas provas cobram na segunda etapa um texto produzido pelo candidato. No TEG, são 15 questões discursivas, cada uma com dois subitens, corte de 50%. Na Hepatologia, são 5 casos clínicos, com até 4 questões cada, corrigidos contra um padrão de resposta esperada.

A diferença de peso entre as duas é grande. No TEG, a teórico-prática vale até 45 pontos — 3 pontos por questão —, exatamente o mesmo teto da objetiva, que vale 0,6 por questão até 45 pontos; o currículo entra com até 10 pontos, e a aprovação exige 60 pontos na soma. Na prova da SBH, a teórico-prática pesa 20% da nota final, contra 70% da teórica e 10% do currículo, com aprovação em nota final igual ou superior a 70.

Na prática, isso significa que a etapa discursiva do TEG é metade da prova, e a etapa de casos clínicos da Hepatologia é um quinto dela. São formatos irmãos na forma de responder e distantes na consequência: no TEG, um desempenho fraco na discursiva não é compensável pela objetiva; na SBH, a objetiva carrega a maior parte da nota, mas só é somada porque foi vencida antes como etapa eliminatória.

Um ponto que costuma gerar dúvida: a fase teórico-prática do TECAD, aplicada no mesmo dia da objetiva, também é escrita — casos clínico-cirúrgicos com anamnese, exames e imagens cirúrgicas, nota mínima 5 e peso 4. Ela integra a primeira fase do CBCD, e não a segunda. A segunda fase do TECAD é outra coisa, tratada adiante.

Segunda família: a segunda fase que se resolve falando diante de uma banca

Duas provas colocam o candidato diante de examinadores ao vivo. Na Coloproctologia, a Prova 2 começa às 13h do dia 22/09/2026, com banca examinadora presencial, projeção de imagens e vídeos, discussão de casos, identificação de instrumentos e de tempos e manobras cirúrgicas. Vale peso 4, contra peso 6 da teórica, e a aprovação exige média 7,0.

Na Endoscopia, a arguição oral ocorre logo após o exame realizado pelo candidato, dentro da prova prático-oral de 03 a 06/11/2026, em São Paulo. A nota dessa etapa é 10, dividida em 70% para o exame, 20% para a arguição e 10% para a análise de currículo, com corte 7.

Ou seja: na SBCP, a fala diante da banca responde por 40% da nota final; na SOBED, a arguição responde por 20% da nota da etapa presencial. São ordens de grandeza diferentes, e o edital da SBCP é explícito sobre o que a banca projeta — imagem, vídeo, instrumento, tempo cirúrgico —, o que torna o objeto de estudo identificável mesmo sem qualquer indicação de distribuição temática.

Vale reforçar: o que os editais publicam é o formato, não a distribuição por assunto. E é sobre o formato que o treino pode ser desenhado — verbalizar raciocínio, nomear estruturas e sustentar conduta em voz alta são tarefas distintas de assinalar alternativa.

Terceira família: a segunda fase que se resolve executando o procedimento

Duas provas exigem que o candidato realize um procedimento avaliado. Na Endoscopia, o candidato faz uma endoscopia alta ou uma colonoscopia, à sua escolha, e o edital lista os pontos que a banca avalia enquanto o exame acontece. Esse exame vale 70% da nota da prova prático-oral — a maior fração isolada de qualquer segunda fase entre as cinco provas.

No TECAD, a segunda fase é única no país: uma cirurgia real, no hospital do próprio candidato, em até 4 meses da divulgação do resultado da primeira fase. O candidato indica três possíveis intervenções e três avaliadores, todos Membros Titulares do CBCD, adimplentes e sem parentesco, além de autorização do Diretor Clínico em papel timbrado, apresentada com 3 dias úteis de antecedência.

Na prática, isso significa que a segunda fase do TECAD não tem nota comparável às demais: ela não divide peso com outra etapa, é uma avaliação de execução cirúrgica que ocorre depois de aprovada a primeira fase, cuja média ponderada precisa ser igual ou superior a 6. E impõe uma camada logística que as outras quatro provas não têm — disponibilidade institucional, adimplência e vínculo dos avaliadores, documentação assinada pela direção clínica, tudo dentro de uma janela fechada.

Um ponto que costuma gerar dúvida: as inscrições do TECAD seguem abertas até 02/10/2026, às 23h59, e são as únicas das cinco provas de 2026 ainda abertas nesta data.

O peso de cada segunda fase na nota final

ProvaSegunda faseFormatoPeso na nota
TEG · FBGTeórico-prática15 discursivas, 2 subitens cadaaté 45 de 100 pontos; corte 50%
Hepatologia · SBHTeórico-prática5 casos clínicos, até 4 questões cada20%
Coloproctologia · SBCPProva 2 — oralBanca ao vivo, imagens, vídeos, instrumentospeso 4 de 10
Endoscopia · SOBEDPrático-oralExame realizado pelo candidato70% da nota da etapa (corte 7)
Endoscopia · SOBEDPrático-oralArguição oral20% da nota da etapa
CAD · CBCD2ª faseCirurgia real no hospital do candidatoetapa própria, após 1ª fase com média ≥ 6

A leitura é direta: a segunda fase mais pesada em fração da nota é o exame endoscópico da SOBED; a mais pesada em pontuação absoluta é a discursiva do TEG; a menos pesada é a teórico-prática da SBH, com 20%.

O que treinar questões cobre e o que não cobre

Resolver questões objetivas prepara a primeira fase das cinco provas. Não prepara nenhuma das segundas. Escrever quinze respostas discursivas com dois subitens em tempo limitado, redigir cinco casos clínicos contra um padrão de resposta esperada, sustentar uma conduta diante de examinadores que projetam vídeo e instrumento, executar uma endoscopia enquanto uma banca preenche uma lista de pontos, ou conduzir uma cirurgia real sob avaliação de três titulares no próprio hospital — são cinco tarefas cujo denominador comum com a objetiva é apenas o conteúdo.

Ou seja: o conteúdo é compartilhado, o desempenho não. É por isso que a escolha da vertical, feita cedo, muda a rotina de estudo mais do que o calendário sugere — e por que o peso de cada segunda fase, publicado em edital, é o dado mais útil para distribuir as horas de preparação entre ler, escrever, falar e executar.

Quando a vertical já está escolhida, a dúvida seguinte costuma ser quanto tempo dedicar à etapa que vem depois da objetiva — e o critério está publicado no edital: o peso da segunda fase e o formato de resposta que ela exige.

Fale com a equipe da APROMED para entender o que a preparação da sua vertical cobre hoje, e onde o peso da segunda fase pede treino que nenhum curso substitui.

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